Impacto das tarifas

Tarifas dos EUA impactam 69% das indústrias brasileiras

Pesquisa revela que 42,9% das empresas enfrentam queda superior a 25% nas encomendas

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  • Efeitos das tarifas As tarifas dos EUA afetam 69% das indústrias brasileiras que exportam para o país.
  • Medidas adotadas 28,6% das indústrias reduziram margens; 26,2% repassaram custos.
  • Empregos mantidos 55,2% das indústrias não alteraram número de funcionários, devido à escassez de mão de obra.
  • Dificuldades de adaptação 45,2% das empresas não planejam buscar novos mercados.
  • Produção no exterior 60% das indústrias não consideram produzir fora do Brasil.

O aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos já está gerando efeitos negativos nas indústrias brasileiras que exportam para o país. De acordo com uma pesquisa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), 69% das indústrias paulistas relataram redução nos pedidos recebidos. Entre essas, 42,9% enfrentaram uma queda superior a 25% no volume de encomendas.

Foto: Imagem de s m anamul rezwan por Pixabay
Foto: Imagem de s m anamul rezwan por Pixabay

A pesquisa, que faz parte da nova edição do estudo Rumos da Indústria Paulista, foi realizada com 174 indústrias de transformação exportadoras entre 10 e 28 de agosto de 2026. Os dados revelam a gravidade da situação, uma vez que as sobretaxas impostas pelos EUA podem chegar a 37,5% para produtos que estão sujeitos a duas tarifas: uma adicional de 25%, em vigor desde 22 de julho, e outra de 12,5%, aplicada a partir de 24 de julho.

Medidas enfrentadas pelas indústrias

Para lidar com o aumento dos custos de exportação, 28,6% das indústrias decidiram reduzir suas margens de lucro, enquanto 26,2% optaram por manter os preços e repassar os custos aos compradores nos Estados Unidos. Além disso, 41,4% das empresas informaram que diminuíram o uso de sua capacidade instalada.

Apesar da queda nos pedidos, a maioria das empresas ainda não alterou o número de funcionários; 55,2% mantiveram suas equipes. Essa preservação pode estar ligada à dificuldade de encontrar profissionais qualificados no mercado, que apresenta uma taxa de desocupação de 5,3% no Brasil, conforme a Pnad Contínua do IBGE.

Dificuldades de adaptação

O levantamento também revelou que muitas indústrias estão tendo dificuldades para encontrar novos mercados alternativos. Embora o Mercosul, a América Latina e o Caribe, e a União Europeia sejam citados como possíveis destinos, 45,2% das empresas não consideram buscar novos mercados. Das que cogitam essa possibilidade, 57,1% não têm um prazo definido para realizar essa transição.

Além disso, cerca de 40% das indústrias tentaram redirecionar suas vendas para o mercado nacional, mas 36% relataram não ter compradores no Brasil para os produtos que costumavam exportar. Entre as que conseguiram transferir parte das vendas, o volume absorvido variou, com 28% recebendo até 5% do que seria destinado aos EUA e 24% absorvendo totalmente.

Produção fora do Brasil

Outra alternativa considerada por algumas empresas seria a produção de seus produtos fora do Brasil para atender a demanda dos compradores norte-americanos. No entanto, essa opção não é viável para a maioria, já que 60% das indústrias não pensam em produzir no exterior. Apenas 21,4% afirmaram ter unidades produtivas em outros países que poderiam atender a essa demanda.

Por fim, quase 70% das empresas destacaram a importância do diálogo e da negociação entre Brasil e Estados Unidos como uma medida prioritária para enfrentar os efeitos das tarifas. A busca por novos acordos comerciais foi mencionada por 40,8% das indústrias, enquanto 38,2% defenderam a necessidade de medidas de desoneração tributária e drawback.

Fonte: Brasil 61


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