Laser inovador

Pesquisadores desenvolvem laser inovador para prevenir cegueira

Novo tratamento pode combater a degeneração macular antes da perda de visão

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  • Cegueira relacionada à idade Cerca de 10% das pessoas acima de 65 anos são afetadas pela degeneração macular. Essa condição pode levar à cegueira.
  • Como funciona o tratamento O laser aquece a retina a 44 ºC em aplicações de 60 segundos. Isso ativa a renovação celular e protege as células.
  • Próximos passos da pesquisa Estudos em humanos devem começar em breve. Primeira fase avaliará segurança do tratamento e depois os efeitos em pacientes.

A medicina avança em busca de novos tratamentos para a degeneração macular relacionada à idade, uma condição que afeta cerca de 10% das pessoas com mais de 65 anos e um terço dos indivíduos acima dos 80 anos. Essa doença é caracterizada pela destruição progressiva da retina, o tecido responsável por converter luz em imagens que o cérebro processa. A degeneração macular é uma das principais causas de cegueira no mundo, e sua forma mais prevalente, a degeneração macular do tipo seco, ainda carece de terapias eficazes para os primeiros estágios.

Em resposta a essa necessidade, pesquisadores da Universidade Aalto, na Finlândia, introduziram um novo tipo de laser que aquece de forma controlada a retina, visando tratar a condição antes que a perda de visão ocorra. Os resultados preliminares, obtidos em testes com animais e publicados na revista acadêmica Nature Communications, geraram entusiasmo na comunidade científica.

Como funciona o novo laser

O laser inovador tem como objetivo proteger e reparar as células da retina antes que a degeneração macular se instale. Diferente do laser Valeda, que foca na fotomodulação e inflamação da retina, a nova tecnologia utiliza um laser de infravermelho que aquece a região a cerca de 44 ºC em aplicações de 60 segundos, provocando um choque térmico que estimula a renovação celular.

Segundo o oftalmologista Gustavo Gameiro, pesquisador do Bascom Palmer Eye Institute, “essa abordagem busca defender as células vulneráveis da retina antes que sejam danificadas pela doença, servindo como uma forma de prevenir a evolução para a cegueira”.

Resultados promissores e próximos passos

A aplicação do laser é meticulosamente controlada para evitar danos a áreas sensíveis do olho. Os pulsos emitidos promovem um processo conhecido como autofagia, uma reciclagem celular identificada pelo cientista japonês vencedor do Prêmio Nobel de Medicina.

Os testes realizados em camundongos e porcos mostraram que o novo laser pode ativar mecanismos naturais de reparo da retina, embora a melhora visual não tenha sido avaliada até o momento. Os dados obtidos nas pesquisas pré-clínicas possibilitaram a aprovação de um estudo em humanos, que deve ser iniciado nos próximos meses. A primeira fase do estudo avaliará a segurança do procedimento, enquanto a segunda fase se concentrará nos efeitos do laser em pacientes com a doença, que é cada vez mais diagnosticada devido ao envelhecimento populacional.

Fonte: Diário do Brasil


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