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- Câmara aprova PEC que acaba com a escala 6x1 A Câmara dos Deputados aprovou em dois turnos, na noite de quarta-feira (27), a PEC que reduz a jornada e extingue a escala 6x1. O texto segue para o Senado.
- CNI reage: proposta é 'inadequada e inoportuna' A Confederação Nacional da Indústria (CNI) rejeitou a aprovação e pediu debate técnico, sem pressão do calendário eleitoral.
- Custo pode chegar a R$ 267,2 bilhões por ano Estudo da CNI aponta alta de até 7% na folha de pagamento. Na indústria, o impacto estimado é de R$ 88 bilhões, ou 11% nos custos.
- O que muda: jornada cai de 44 para 40 horas Em 60 dias: escala 5x2 e 42h semanais. Após 1 ano: 40h semanais. Sem redução de salários. MEIs e pequenas empresas podem ter regras transitórias.
- FGV IBRE projeta retração de até 11,3% no PIB Simulações do Instituto Brasileiro de Economia apontam queda no PIB, aumento do desemprego e da informalidade caso a PEC seja promulgada.
- CNI confia no Senado para análise responsável Ricardo Alban defende transição gradual e produtividade como base. A confederação afirma confiar que o Senado tratará o tema com 'cuidado e responsabilidade'.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou como “inadequada e inoportuna” a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada de trabalho e extingue a escala 6×1. A entidade alertou que a mudança pode elevar em até R$ 267,2 bilhões por ano os custos com empregados formais no Brasil e defendeu um debate mais amplo, técnico e responsável sobre o tema.
O texto foi aprovado em dois turnos pela Câmara dos Deputados na noite de quarta-feira (27) e segue agora para análise do Senado Federal.
O que muda com a PEC
Pela proposta aprovada, 60 dias após a promulgação:
- Passa a valer a escala de cinco dias de trabalho com dois dias de descanso;
- A jornada cai imediatamente de 44 para 42 horas semanais, sem redução de salários.
Após um ano, a carga horária cairá de 42 para 40 horas semanais.
O relator, deputado federal Leo Prates (Republicanos-BA), incluiu dispositivo que permite a uma lei complementar criar medidas transitórias para microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte, desde que mantidos os níveis de emprego.
A proposta é um substitutivo à PEC 221/19, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que previa jornada de 36 horas semanais, e à PEC 8/25, da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que estabelecia jornada de quatro dias de trabalho.
Impactos econômicos
Segundo estudo da CNI, a redução de 44 para 40 horas semanais representaria aumento de até 7% na folha de pagamento das empresas. Projeções da entidade apontam impactos entre 6% e 9% em diferentes setores, com reflexos sobre alimentos, serviços e vestuário.
Na indústria, o impacto estimado chega a cerca de R$ 88 bilhões, equivalente a alta de 11% nos custos do setor. Simulações do Instituto Brasileiro de Economia (FGV IBRE) indicam possibilidade de retração de até 11,3% no PIB, além de aumento do desemprego e da informalidade.
Posição da CNI
O presidente da CNI, Ricardo Alban, defende que eventuais alterações na jornada sejam acompanhadas de agenda voltada à produtividade, com investimentos em tecnologia, qualificação profissional, inovação e modernização das relações de trabalho.
“A história recente contemporânea da relação capital-trabalho sempre foi feita de uma transição entre a melhoria das condições de trabalho e a redução de uma possível jornada de forma gradativa e com muito entendimento, sempre através de negociações. Nós queremos fazer isso. Mas tem que ser de forma sustentável. Nós precisamos aumentar a produtividade. Ninguém tem dúvidas de que produtividade é que determina as melhores condições de trabalho”, ressaltou Alban.
Alban também defendeu prazo maior para adaptação das empresas, alertando que o período previsto na PEC compromete a previsibilidade e a segurança jurídica, especialmente para pequenos e médios negócios.
“Nós precisamos fazer com que essa transição seja minimamente absorvida pelos setores produtivos para que o impacto não seja um revés para os próprios trabalhadores e para a própria sociedade como um todo, com pressão sobre inflação e custos”, reforçou.
A CNI sustenta que a negociação coletiva é o instrumento mais eficaz para construir soluções equilibradas e afirmou confiar que o Senado Federal analisará o tema com “cuidado e responsabilidade”.

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