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- Canetas emagrecedoras falsas motivam operação em SC PF e Vigilância Sanitária cumpriram mandados em Joinville e Lages contra esquema de falsificação de semaglutida e retatrutida.
- Mulher foi parar na UTI após aplicar falso Ozempic Em 2025, moradora de Jaraguá do Sul usou produto que continha insulina, substância potencialmente fatal para não diabéticos.
- Especialista ensina a identificar produto falsificado Sem registro Anvisa, erros na embalagem, líquido turvo ou compra fora de farmácia são sinais de alerta, diz professor da Univali.
- Onde denunciar irregularidades em Santa Catarina Vigilância Sanitária municipal, Disque Denúncia 181, WhatsApp (48) 98844 0011 ou Ouvidoria Anvisa: 0800 642 9782.

A Polícia Federal e a Vigilância Sanitária deflagraram em abril de 2026 a Operação Heavy Pen em Santa Catarina, com mandados de busca cumpridos em Joinville e Lages. O alvo era um esquema nacional de falsificação de medicamentos para emagrecer, como a semaglutida e a retatrutida, substância ainda não autorizada no país.
O caso não é isolado no estado. Em 2025, uma mulher de Jaraguá do Sul foi internada na UTI após aplicar o que acreditava ser Ozempic. O produto, na verdade, continha insulina, uma substituição potencialmente fatal para quem não é diabético.
O mercado das chamadas canetas emagrecedoras (Ozempic, Wegovy e Mounjaro) cresceu de forma acelerada, e junto com ele o mercado paralelo. O risco não se limita à falta de efeito ou perda financeira: trata-se de substâncias que entram diretamente na corrente sanguínea e podem provocar morte, infecções graves e danos irreversíveis.
Como identificar uma caneta falsa
O professor de farmacologia da Univali e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Toxicologia (SBTox), José Santin, detalhou os sinais de alerta.
‘Alguns detalhes simples já ajudam a identificar quando uma caneta emagrecedora pode não ser confiável’, afirmou Santin.
A embalagem é o primeiro ponto de atenção: ausência de registro na Anvisa, falta de informações como lote, validade e fabricante, ou erros de impressão são sinais importantes. A própria caneta também deve ser observada, já que produtos regulares apresentam acabamento adequado e sistema de dose preciso. Qualquer aspecto frágil ou funcionamento impreciso levanta suspeitas.
O líquido interno deve ser transparente e sem partículas. Turvação, mudança de cor ou presença de resíduos pode indicar degradação ou contaminação. Esses medicamentos exigem refrigeração, e falhas no armazenamento ou transporte comprometem a qualidade.
A origem da compra é determinante: produtos adquiridos fora de farmácias, especialmente por redes sociais, representam risco muito maior.
Por que canais não oficiais anulam a segurança
Segundo Santin, a compra por canais não oficiais elimina qualquer garantia porque rompe toda a cadeia de controle sanitário. Produtos regularizados junto à Anvisa passam por avaliação de qualidade, segurança e eficácia, além de seguirem regras rigorosas de fabricação, transporte e armazenamento.
Quando o produto é adquirido por redes sociais ou sites sem registro, não há garantia de que contenha o princípio ativo correto, na dose adequada, nem de que esteja livre de contaminações. Perde-se também a rastreabilidade, algo especialmente crítico para medicamentos injetáveis e biológicos, sensíveis à temperatura.
Riscos de contaminação biológica
‘Sim, esse risco é real!’, enfatizou Santin. Medicamentos injetáveis precisam ser produzidos em condições rigorosas de assepsia. Quando essas boas práticas não são seguidas, há possibilidade de contaminação por bactérias, fungos e endotoxinas.
Na prática, isso pode levar a infecções locais, como abscessos no local da aplicação, mas também a quadros muito mais graves. Além do risco químico da substância, existe risco biológico importante quando o produto não segue padrões sanitários.
Sobre sequelas irreversíveis no fígado, rins ou sistema cardiovascular, Santin alertou que, sem controle de qualidade e sem saber exatamente qual substância e em que dose está sendo administrada, não há como prever o tipo nem a gravidade do dano.
Por que o registro na Anvisa é obrigatório
As canetas emagrecedoras precisam de registro na Anvisa porque são medicamentos. O registro garante que o produto passou por estudos que comprovam eficácia, segurança e qualidade, além de assegurar fabricação dentro de padrões controlados, com pureza, dose correta e ausência de contaminantes.
Do ponto de vista regulatório e toxicológico, o registro não é apenas uma formalidade: é o que diferencia um medicamento confiável de um produto de risco incerto.
Onde denunciar
A comercialização dessas canetas fora de farmácias licenciadas é crime. Para denunciar irregularidades em Santa Catarina, os canais são:
- Vigilância Sanitária de Santa Catarina (DIVS): pelo site oficial ou diretamente com a vigilância do município.
- Disque-Denúncia da Polícia Civil: 181 ou WhatsApp (48) 98844-0011, com sigilo absoluto.
- Ouvidoria da Anvisa: site oficial ou telefone 0800 642 9782.
Na dúvida sobre procedência ou conservação de qualquer caneta emagrecedora, o mais seguro é não utilizar.

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