Delação rejeitada

Delação de Daniel Vorcaro é recusada após omissões sobre ministros do STF e senadores

Ex-dono do Banco Master trocou de advogado e busca nova rodada de negociações com PF e PGR após proposta inicial ser rejeitada

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  • Delação de Vorcaro rejeitada por omissões a investigadores A PF concluiu que Daniel Vorcaro omitiu dados relevantes na proposta. Ele mencionou Moraes, Toffoli, Alcolumbre e Ciro Nogueira nos anexos.
  • Vorcaro defendeu regularidade dos negócios no texto Em vez de apontar crimes, usou os anexos para justificar contratos com autoridades, incluindo o escritório da esposa de Alexandre de Moraes.
  • Ausência de Flávio Bolsonaro chamou atenção da PF O senador virou alvo da investigação por conteúdo achado no celular de Vorcaro, mas não foi citado na proposta de delação apresentada.
  • Nova chance em discussão na PF e na PGR Vorcaro trocou de advogado e busca reconstruir credibilidade. PF e PGR discutem conceder uma segunda oportunidade de acordo.

A primeira proposta de delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi rejeitada depois que investigadores concluíram que ele omitiu informações relevantes e resistiu a apresentar detalhes esperados pelas autoridades. A avaliação foi divulgada pelo editor da coluna Radar, Robson Bonin, no programa VEJA em Foco, com base em fontes ligadas à investigação.

Quais nomes apareceram na delação?

Segundo Bonin, os anexos da proposta mencionavam o ministro do STF Alexandre de Moraes, o ministro do STF Dias Toffoli, o presidente do Congresso Nacional Davi Alcolumbre e o senador Ciro Nogueira.

Em vez de apontar possíveis crimes, Vorcaro teria usado parte dos anexos para demonstrar, segundo sua versão, a regularidade dos negócios com essas autoridades. No caso de Alexandre de Moraes, justificou a contratação do escritório da advogada Viviane Barci, esposa do ministro, pela reputação da banca em compliance. Em relação a Toffoli, alegou não ter informações sobre possível irregularidade ligada ao cunhado do magistrado.

“Os três poderes estão envolvidos nesse caso do Banco Master”, afirmou Bonin.

Por que a proposta foi rejeitada?

Investigadores avaliaram que a narrativa de Vorcaro não correspondia ao que já havia sido reunido nas apurações.

“A Polícia Federal sabe que não é bem assim”, disse Bonin.

A ausência do senador Flávio Bolsonaro na proposta também chamou atenção: ele passou a ser alvo de investigação a partir de conteúdos encontrados no celular de Vorcaro.

Ainda há chance de um novo acordo?

As negociações não foram encerradas. Vorcaro trocou de advogado e tenta reconstruir credibilidade para uma nova rodada de conversas. Integrantes da Procuradoria-Geral da República e da Polícia Federal discutem conceder uma segunda oportunidade.

“Ainda há agora a possibilidade de uma segunda chance dada pela PF e pela PGR”, afirmou Bonin.

O colunista apontou uma contradição na avaliação dos investigadores: de um lado, um empresário que se apresenta preocupado com o futuro do país; de outro, mensagens já apreendidas que alimentam dúvidas sobre sua credibilidade.

“Ele parece ter duas faces”, resumiu Bonin.


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