Crise no setor

Suinocultura em crise: preço do quilo cai 17% e produtores de SC registram prejuízo de até R$ 150 por animal

Excesso de oferta, dólar em baixa e custos crescentes pressionam suinocultores integrados e independentes em Santa Catarina

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  • Preço do suíno cai 17% e setor entra em crise em SC O quilo do suíno despencou de R$ 6,80 para R$ 5,80 nas indústrias. Prejuízo chega a R$ 150 por animal, segundo a ACCS.
  • Produtor independente vende abaixo do custo de produção Independentes recebem cerca de R$ 5,00 por quilo, enquanto o custo médio em SC está em R$ 6,35. O déficit é real.
  • 105 mil novas matrizes entre 2024 e 2025 agravam superoferta Dados da ABPA mostram 105 mil matrizes a mais no plantel nacional em um ano, inundando o mercado de carne suína.
  • Exportações batem recorde, mas dólar reduz os ganhos Brasil exportou 55 mil toneladas a mais no 1º trimestre de 2026. Receita por tonelada caiu R$ 1.452 por causa do dólar baixo.
  • ACCS critica mudança na jornada e alta carga tributária Redução do 6x1 para 5x2 elevaria custos no agro, que opera 24 horas. Presidente cita fuga de empresas ao Paraguai.
  • Losivanio: 'regredimos seis anos no preço do suíno' Em outubro de 2020 o suíno era vendido a R$ 5,01. Com custos muito maiores hoje, a ACCS classifica o cenário como crise insuportável.

A suinocultura catarinense enfrenta uma das crises mais severas dos últimos anos. O preço base pago pelas indústrias ao produtor caiu de R$ 6,80 para R$ 5,80 por quilo, uma retração de 17,2%, gerando prejuízo estimado em até R$ 150 por animal enviado ao frigorífico. O alerta foi feito por Losivanio Luiz de Lorenzi, presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS).

Superoferta pressiona o mercado

A ACCS aponta o crescimento acelerado da produção como principal causa da crise. Após um período de alta rentabilidade, produtores ampliaram investimentos, elevando o número de matrizes e a oferta de carne suína no mercado. Dados da Associação Brasileira de Proteína Animal indicam que o plantel brasileiro ganhou 105 mil matrizes entre 2024 e 2025, injetando volume significativo de carne no mercado nacional.

A situação é especialmente grave para os suinocultores independentes, que comercializam o animal a cerca de R$ 5,00 por quilo, enquanto o custo médio de produção em Santa Catarina está em R$ 6,35. Outros fatores agravaram o excesso de oferta: aumento da produtividade nas granjas, envio de animais mais pesados aos frigoríficos e descarte antecipado de matrizes reprodutoras.

“Nós regredimos seis anos no preço do suíno. Em outubro de 2020, a comercialização era de R$ 5,01. Com todos os custos que se elevaram, é uma crise insuportável para o setor”, afirmou Losivanio.

Exportações recordes, mas com rentabilidade menor

O Brasil registrou recorde nas exportações de carne suína no primeiro trimestre deste ano, com 55 mil toneladas a mais do que no mesmo período do ano anterior, crescimento de 14%. Mesmo assim, a valorização menor do dólar reduziu os ganhos: a receita por tonelada exportada caiu de R$ 14.392 em 2025 para R$ 12.940 em 2026, uma perda de R$ 1.452 por tonelada.

“A gente perdeu R$ 1.452 por tonelada. Com o dólar nesse patamar, a margem de lucro desaparece”, explicou Losivanio.

Críticas ao cenário econômico e trabalhista

O presidente da ACCS também criticou propostas de redução da escala de trabalho 6×1 para 5×2, argumentando que o agronegócio opera em regime contínuo, com manejo dos animais durante 24 horas. Segundo ele, a mudança elevaria os custos com mão de obra, impactando o preço final dos alimentos ao consumidor.

Losivanio demonstrou ainda preocupação com a carga tributária e a insegurança jurídica no país, citando a migração de empresas e trabalhadores ao Paraguai em busca de melhores condições econômicas.

“O Brasil está se afundando porque a maioria dos nossos políticos faz medidas populistas pensando apenas em reeleição”, concluiu o presidente da ACCS.


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