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- Ação da PF A Polícia Federal acionou a AGU contra medidas de André Mendonça sobre investigações no INSS.
- Intromissão na PF Membros da PF consideram as ações de Mendonça uma violação das competências do órgão.
- Investigação de Lulinha O caso investiga Lulinha, filho do presidente Lula, e suas possíveis ligações com fraudes.
- Prazo para conclusão Mendonça exigiu que a PF concluísse a análise do material apreendido em 60 dias.
- Descontentamento na PF A PF argumenta que precisa de mais tempo e pessoal para concluir as investigações.
- Mudanças na coordenação A transferência da investigação gerou críticas e descontentamento entre os investigadores.

A Polícia Federal (PF) decidiu acionar a Advocacia-Geral da União (AGU) na última semana, em resposta a medidas adotadas pelo ministro do STF, André Mendonça. Essas medidas visam aumentar o controle sobre as investigações que apuram fraudes nos descontos do INSS, envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Lula.
O objetivo da PF é que a AGU encontre uma forma judicial de contestar a determinação do ministro, que exige que todos os atos da apuração sejam imediatamente anexados ao processo em seu gabinete. Além disso, Mendonça estipulou que o afastamento de qualquer policial da equipe de investigação deve ser comunicado previamente.
Nos bastidores, membros da cúpula da PF consideram as ações de Mendonça uma intromissão em sua gestão, além de uma possível violação das competências do órgão. A decisão de compartilhar informações diretamente com o gabinete do ministro foi vista como um sinal de desconfiança em relação à imparcialidade da polícia.
Um investigador ligado ao caso comentou que, se Mendonça acredita que há perseguição ou irregularidades, ele deveria formalizar isso no processo, em vez de agir contra uma instituição com base em suposições.
A reportagem tentou contato com o gabinete de Mendonça, mas não obteve resposta. A AGU também não se manifestou sobre o pedido, e a PF preferiu não comentar a situação.
Operação Sem Desconto
As investigações fazem parte da Operação Sem Desconto, considerada delicada por envolver Lulinha. Em fevereiro, o ministro autorizou a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telemático. Uma das linhas de investigação sugere que Lulinha poderia ser sócio oculto do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, um dos principais operadores do esquema de fraudes.
A ação da PF junto à AGU representa um novo capítulo na crise entre a polícia e o ministro. A insatisfação de Mendonça com a lentidão das investigações o levou a exigir que a PF concluísse a análise do material apreendido em 60 dias, incluindo celulares e HDs dos detidos.
Em resposta, a PF argumentou que precisaria de mais tempo e que a equipe atual é insuficiente, com apenas 11 policiais atuando, quando seriam necessários mais de 40. A análise do material, que inclui cerca de 1.700 itens, está em estágio inicial, com apenas 40% concluído.
Além disso, Mendonça pediu que a PF mantivesse a mesma equipe de investigação e justificasse qualquer mudança. Essa determinação surgiu após sua insatisfação com as trocas na coordenação do caso, que, segundo ele, têm atrasado a conclusão da operação.
Desdobramentos da investigação
A percepção entre as autoridades é que a Operação Sem Desconto, iniciada em 23 de abril de 2025, está mais lenta do que a operação Compliance Zero, que investiga fraudes do Banco Master. A PF já transferiu a apuração para a Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores, que se encarrega de investigar pessoas com foro privilegiado.
O chefe da antiga divisão da PF ficou surpreso com a decisão de realocar o caso, que, segundo a polícia, foi feita para garantir maior eficiência nas investigações. No entanto, essa mudança gerou críticas e descontentamento entre os investigadores, que veem a abordagem em relação ao filho do presidente como uma alteração no rumo das apurações.
A defesa de Lulinha sempre negou qualquer irregularidade. Internamente, os investigadores criticam a condução de Mendonça e afirmam que os pedidos de quebra de sigilo não têm a mesma velocidade de análise, dependendo de quem são os alvos.
Fonte: Diário do Brasil

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