Picada fatal em SC

Menina de 4 anos sobrevive a choque anafilático após picada de cobra-coral em SC

Criança foi picada no calcanhar em Itajaí após irmão confundir a serpente com minhoca; veneno neurotóxico exigiu antídoto e três dias de internação

Ver resumo Resumo
  • Criança de 4 anos sobrevive a picada de cobra-coral em Itajaí Olívia, 4 anos, foi picada no calcanhar por uma filhote de cobra-coral verdadeira em 25 de abril, em Itajaí (SC), e enfrentou três choques anafiláticos.
  • Irmão confundiu a serpente com uma minhoca O irmão mais velho encontrou os gatos brincando com a cobra e a trouxe para dentro de casa achando que era uma minhoca.
  • Família agiu rápido e capturou a cobra O pai reconheceu a cobra-coral na hora. A mãe, Jéssica Schutell, pegou a filha e os documentos enquanto ele capturou o animal em um pote.
  • Três choques anafiláticos durante aplicação do antídoto As crises começaram ao iniciar o soro. Em todas as três foram usadas adrenalina e antialérgicos. Olívia ficou na ala vermelha do hospital.
  • Três dias internada e uma semana de recuperação em casa Após a alta, Olívia precisou de mais uma semana em casa para voltar à rotina normal, segundo a mãe.
  • Veneno neurotóxico pode levar à parada cardiorrespiratória O herpetólogo Tobias Kunz explica: há cerca de 30 espécies do gênero Micrurus no Brasil, todas com ação neurotóxica potencialmente fatal.
  • Atendimento rápido foi decisivo para a sobrevivência de Olívia O CIATox/SC confirmou a espécie. Jéssica atribui a recuperação à velocidade do atendimento: 'Foi tudo muito rápido'.

Uma menina de 4 anos sobreviveu a três choques anafiláticos após ser picada por uma filhote de cobra-coral verdadeira em Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina, em 25 de abril. A criança, chamada Olívia, precisou de três dias de internação hospitalar e mais uma semana de repouso em casa para se recuperar totalmente.

Segundo a mãe, Jéssica Schutell, o acidente aconteceu quando o filho mais velho encontrou os gatos brincando com a cobra no terreno de casa. “Pegou ela pelo rabo e trouxe para dentro de casa, falando que era uma minhoca. Eles ficaram alguns minutos observando a tal minhoca”, relatou. Em seguida, o menino colocou a serpente sobre as pernas da irmã, que teria se assustado e apertado o animal, levando à picada no calcanhar.

O pai reconheceu imediatamente que se tratava de uma cobra-coral e capturou o animal em um pote. A família saiu às pressas para o primeiro pronto-atendimento disponível, onde Olívia foi atendida e logo transferida de ambulância para um hospital. O Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Santa Catarina (CIATox/SC) confirmou a espécie.

Choques anafiláticos durante o tratamento

O primeiro choque anafilático ocorreu durante a aplicação do antídoto para neutralizar o veneno. A criança ficou “totalmente inchada”, com a respiração comprometida, e vomitava muito. Olívia foi transferida para a ala vermelha do hospital.

“Foi tendo reações alérgicas até o final desse soro. Cada reação era diferente. Em todas as três crises foram usadas adrenalina e antialérgicos”, disse Jéssica.

O médico alergista Júlio César, do Centro Clínico Órion Complex, explica que o choque anafilático é a forma mais grave de alergia: “Ela acontece quando a reação alérgica deixa de ser apenas na pele, por exemplo, e passa a comprometer órgãos importantes, principalmente a parte respiratória e a circulatória”. Ele acrescenta que, em alguns casos, pode ocorrer a chamada reação bifásica: “A pessoa pode melhorar do processo da anafilaxia e, horas depois, voltar a apresentar sintomas”.

Veneno entre os mais potentes do país

O biólogo Christian Raboch Lempek, da Fundação Jaraguaense de Meio Ambiente (Fujama), explica que a cobra-coral verdadeira pertence à família Elapidae e possui “uma peçonha poderosíssima, com baixo peso molecular, que se espalha rapidamente pelo corpo e age diretamente no sistema nervoso”.

O herpetólogo Tobias Kunz complementa que, no Brasil, há cerca de 30 espécies do gênero Micrurus. “Seu veneno tem ação principalmente neurotóxica, afetando o sistema nervoso central e paralisando rapidamente suas presas. No caso de acidentes com pessoas, esse efeito neurotóxico pode levar à parada cardiorrespiratória”, alerta.

Para Jéssica, o atendimento rápido foi determinante: “Foi tudo muito rápido e acredito que foi isso que ajudou a recuperação dela ser tão rápida também”.


Deixe seu comentário

Carregando comentários…
Veja mais notícias