Reação ao EUA

Fórum Brasileiro de Segurança Pública critica classificação de PCC e CV como terroristas pelos EUA

Entidade alerta para riscos à soberania e à economia do Brasil e lamenta que debate tenha sido capturado pela disputa eleitoral

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  • EUA classificam PCC e CV como organizações terroristas O secretário de Estado Marco Rubio anunciou na quinta-feira (28) a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas estrangeiras.
  • Medida entra em vigor no dia 5 de junho A decisão prevê também a classificação como Foreign Terrorist Organizations. Vigência começa em 5 de junho.
  • EUA descrevem facções como 'as mais violentas do Brasil' Departamento de Estado afirma que PCC e CV têm milhares de integrantes e fazem 'ataques brutais' contra policiais e civis.
  • FBSP reage e critica uso político da decisão Fórum Brasileiro de Segurança Pública lamenta que o tema tenha sido 'capturado pela disputa eleitoral' no Brasil.
  • Entidade alerta para riscos à soberania e à economia FBSP adverte sobre riscos de saídas unilaterais de outras nações para uma economia do porte da brasileira.
  • Cooperação entre Brasil e EUA deve continuar, diz FBSP Entidade reforça a longa tradição de cooperação policial entre os dois países e defende regulação de Fintechs, Bets e Criptoativos.

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) se manifestou na noite desta quinta-feira (28) após o Departamento de Estado dos EUA anunciar a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A entidade lamentou que o debate tenha sido ‘capturado pela disputa eleitoral’ e alertou para riscos à economia e à soberania nacional.

O anúncio foi feito pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que informou que os EUA também pretendem classificar as duas facções como Foreign Terrorist Organizations (organizações terroristas estrangeiras). A medida deve entrar em vigor a partir do dia 5 de junho.

Em comunicado, o Departamento de Estado afirmou que as facções estão entre ‘as organizações criminosas mais violentas do Brasil’, com ‘milhares de integrantes’, e que realizam ‘ataques brutais’ contra policiais, autoridades públicas e civis. O governo Trump declarou que continuará ‘usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossa nação e nossos interesses de segurança nacional, mantendo drogas ilícitas fora de nossas ruas e interrompendo as fontes de financiamento de narcoterroristas violentos’.

Para o FBSP, a medida norte-americana reflete a forma como os EUA pretendem lidar, dentro de seus próprios termos jurídicos, com os impactos transnacionais das duas facções. No entanto, a entidade vê com preocupação o tom adotado no cenário político brasileiro.

‘O FBSP lamenta que um tema com implicações profundas na soberania e autonomia do Brasil, na sua economia, sistema financeiro e nos mecanismos de cooperação regional e internacional, tenha sido capturado pela disputa eleitoral e a medida norte-americana incentivada como solução de um problema bem mais complexo, sem considerar os riscos de saídas unilaterais de outras nações para uma economia do porte da brasileira.’

A entidade alertou que a medida tem sido defendida por políticos como se fosse uma ‘solução mágica’, ignorando a complexidade do problema. O FBSP destacou ainda que Brasil e EUA têm longa tradição de cooperação policial, com destaque para troca de informações de inteligência e combate à lavagem de dinheiro, e que essa parceria deve continuar.

Por fim, o fórum criticou o que chamou de ‘visões reducionistas’, afirmando que o apoio político explícito à medida demonstra desconexão com as ‘reais tarefas que o Poder Público precisa colocar em prática para retomar territórios e regular mercados e setores usados pelo crime organizado, como Fintechs, Bets, Criptoativos, entre outros setores’.


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