Literatura

Morre, aos 95 anos, Helio Jaguaribe, jurista, escritor e integrante da Academia Brasileira de Letras

O acadêmico, jurista, sociólogo e escritor Helio Jaguaribe faleceu na noite de domingo (09), em sua residência, no bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro, vítima de falência múltipla dos órgãos.

Seu corpo será velado na Sala dos Poetas Românticos, no Petit Trianon, a partir das 10h desta quarta-feira (12). O sepultamento está previsto para o mesmo dia, às 15h, no Mausoléu da ABL (Academia Brasileira de Letras), no Cemitério São João Batista, em Botafogo. O acadêmico deixa viúva, Maria Lucia Charnaux Jaguaribe, e cinco filhos, Anna, Roberto, Claudia, Beatriz e Isabel.

Nono ocupante da Cadeira nº 11 da ABL, Helio Jaguaribe foi eleito em 3 de março de 2005, na sucessão de Celso Furtado, e recebido em 22 de julho de 2005, pelo Acadêmico Cândido Mendes de Almeida.

Trajetória

Helio Jaguaribe de Mattos nasceu no Rio de Janeiro, em 23 de abril de 1923, diplomando-se em Direito, em 1946, pela Pontifícia Universidade Católica desta cidade.

Em 1952, iniciou, com um grupo de jovens cientistas sociais, um projeto de estudos para a reformulação do entendimento da sociedade brasileira, fundando o Instituto Brasileiro de Economia, Sociologia e Política, do qual foi secretário-geral e diretor da revista do Instituto, “Cadernos de nosso tempo”, de relevante influência no Brasil e na América Latina.

Em 1956, promoveu a constituição do Iseb (Instituto Superior de Estudos Brasileiros), uma instituição de altos estudos, do Ministério da Educação e Cultura, no campo das Ciências Sociais, do qual foi designado chefe do Departamento de Ciência Política.

Exonerando-se de ambas as funções em 1959, por discordância com mudanças na orientação do instituto. Passou, então, alguns anos colaborando, sem vínculos permanentes, com diversas instituições acadêmicas, no Brasil e no exterior.

Em 1964, depois de pública condenação do golpe militar, afastou-se do país e foi lecionar nos Estados Unidos: de 1964 a 1966, na Universidade de Harvard; de 1966 a 1967, na Universidade de Stanford; e de 1968 a 1969, no MIT – Massachusets Institute of Tecnology.

Retornando ao Brasil em 1969, ingressou no Conjunto Universitário Cândido Mendes onde, por alguns anos, foi diretor de Assuntos Internacionais. Com a fundação do Instituto de Estudos Políticos e Sociais, em 1979, foi designado decano do novo Instituto, função que exerceu até 2003.

Naquela data, completando 80 anos, propôs sua substituição por um alguém mais jovem, o professor Francisco Weffort, ex-Ministro da Cultura do Governo Fernando Henrique Cardoso, que foi escolhido para o cargo. A Jaguaribe foi conferido o título de decano emérito e, nessa função, continuou suas pesquisas no instituto.

Por sua contribuição às Ciências Sociais, aos estudos latino-americanos e à análise das Relações Internacionais, recebeu o grau de Doutor Honoris Causa da Universidade de Johannes Gutenberg, de Mainz, RFA (em 1983); da Universidade Federal da Paraíba (em 1992) e da Universidade de Buenos Aires (em 2001).

Em 1996, foi agraciado, por sua contribuição às Ciências Sociais, com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico. Em 1999, o Ministério da Cultura conferiu, por sua contribuição ao desenvolvimento cultural do país, a Ordem do Mérito Cultural.

O CatanduvasMais é um agregador de notícias, logo todo o conteúdo desta notícia é de responsabilidade do Jornal O Sul.

Deixe sua opinião:

pessoa(s) deixaram sua opinião. Sua opinião é muito importante, participe!