Bem-estar

Dormir pouco pode causar Alzheimer

O pesquisador britânico e professor de neurociência e psicologia MatthewWalker apresentou uma série de pesquisas que ligam a privação do sono a inúmeros problemas de saúde, incluindo tumores, mal de Alzheimer e ataques do coração.

Ele diz que é hora de reivindicar nosso direito de dormir direito sem sentir vergonha ou ser chamado de preguiçoso. “É uma epidemia silenciosa que está se tornando rapidamente um dos maiores problemas de saúde pública do século 21.”

“Vou começar falando de testículos”, provocou Walker em sua palestra no TED em Vancouver, no Canadá. “Homens que dormem apenas cinco horas por noite têm testículos significantemente menores de quem dorme sete horas ou mais. E aqueles que dormem com frequência apenas quatro ou cinco horas têm um nível de testosterona de alguém dez anos mais velho.”

Fundador e criador do Centro de Ciência do Sono Humano em Berkeley, Walker disse que problemas também são vistos no sistema reprodutivo feminino. Além disso, dormir seis horas ou menos por noite afeta o cérebro e suas funções de memória e aprendizado e diminui em 70% células do sistema imunológico.

“Nos últimos dez anos, aprendemos que você precisa dormir depois de aprender para apertar aquele botão de salvar e não esquecer suas memórias”, disse. “E recentemente aprendemos que você também precisa dormir antes de aprender para preparar seu cérebro. Ele é como uma esponja seca prestes a ficar molhada de conhecimento. Sem dormir, o circuito da memória no seu cérebro fica molhado o tempo todo e não consegue absorver nada novo.”

O pesquisador explicou que ondas cerebrais “grandes e poderosas” acontecem durante os estágios de sono mais profundo. “Funcionam como uma transferência de arquivos, de um reservatório vulnerável de memória curta para um armazenamento mais permanente no cérebro para protegê-la”, explicou.

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A descoberta trouxe evidências em 2018 de que a piora no sono que experimentamos quando envelhecemos pode estar contribuindo para nossa falta de memória e até mesmo para o surgimento do Alzheimer.

O seu centro de pesquisa está desenvolvendo técnicas para melhorar o sono profundo e, infelizmente, a solução não está nas pílulas de dormir. “São instrumentos que não produzem sono natural”, avisou.

Um dos métodos é baseado na aplicação de uma pequena voltagem de estimulação no cérebro. Quando isso é feito durante o sono de jovens adultos saudáveis, é possível ver a ampliação das ondas cerebrais, dobrando os benefícios na retenção de memória e aprendizado.

“Agora, estamos estudando como aplicar essa tecnologia a adultos mais velhos ou com demência para ajudá-los em suas funções de aprendizado e memória”, disse Walker.

O pesquisador também mostrou como dormir mal afeta até mesmo os genes. Em um estudo com adultos saudáveis, as atividades dos genes foram comparadas em dois cenários: uma semana de sono limitado a seis horas e uma semana de sono de oito horas.

Cerca de 700 genes tiveram suas atividades “distorcidas” diante de pouco sono. Metade deles teve suas atividades aumentadas, e a outra, diminuída. Os genes que foram desligados eram associados ao sistema imunológico, enquanto os que foram “aumentados” eram ligados a inflamações, tumores e estresse.

Além do conselho de não beber álcool e cafeína ou pelo menos reduzir o seu consumo, Walker deu duas dicas para uma boa noite de sono: regularidade e temperatura ambiente entre 16 e 18 graus.

Para Walker, dormir não pode ser um item de luxo porque é uma necessidade biológica não negociável. “Dizimar o ato de dormir nas nações industrializadas está tendo um impacto catastrófico na nossa saúde e na educação e segurança de nossas crianças.”

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