Bem-estar

Cinco maneiras de identificar a fome emocional

Sem perceber, muitas pessoas comem no “piloto automático” quando estão se sentindo incomodadas ou irritadas. Segundo Gladia Bernardi, nutricionista especialista em obesidade, a prática é muito comum, independente da idade, nível social ou, até mesmo, da rotina alimentar da pessoa. “Nem sempre quando achamos que temos ‘fome’ precisamos realmente comer. Diversos fatores emocionais influenciam a rotina alimentar de uma pessoa – como ansiedade, tédio, estresse, tristeza, frustração, ou apenas a força do hábito. E são esses sentimentos que, muitas vezes, fazem com que a pessoa ache que está com fome, quando, na verdade, é apenas uma vontade incontrolável de comer para encobrir essas sensações – que vêm de uma forma urgente e, geralmente, se tornam piores depois, quando o sentimento de culpa por ter comido em excesso aparece”, alerta a nutricionista.

A especialista ensina a diferenciar os tipos de fome, subdividas em “fome emocional” e “fome física”. “A busca incessante por conforto na comida faz com que a pessoa coma mais do que seu corpo precisa. É necessário mudar esse gatilho mental e ‘emagrecer’ a mente, pois comida não é calmante e não deve ser uma válvula de escape”, avalia. Para descobrir se a “fome” é emocional ou física, segundo Gladia, a melhor maneira é estar consciente das reais necessidades do seu corpo. “Para enfrentar as situações difíceis, que produzem em nós impactos emocionais, é importante ter consciência do problema original que está causando a ansiedade, o estresse, e não descontar de forma inconsciente na comida”, explica. “Em prol de uma vida saudável – mental e fisicamente -, é preciso que a pessoa substitua o ato de esconder as emoções com o ato de comer por outras atividades, como exercícios físicos, ler um livro ou qualquer outro passatempo que seja prazeroso”, comenta.

Dicas para identificar a “fome” emocional

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Ela aparece em forma de desejos

A “fome” emocional nunca vai ser saciada por uma fruta ou um prato de salada ou de legumes. “Geralmente, esse tipo de fome pede comidas mais pesadas e pouco saudáveis, como doces ou alimentos em gorduras saturadas”, comenta Gladia. Porém, a especialista ressalta que não há problema em comer uma vez ou outra alimentos mais calóricos. O importante é não exagerar. “Se você se alimenta com equilíbrio, não tem problema se permitir mesmo. Nenhum alimento é proibido. Importante é ter em mente que isso é algo fora da rotina, e não um hábito”, ensina.

Tenta preencher um vazio

Quando a “fome” é causada pelas emoções, ela tenta preencher um vazio – que não está exatamente no estômago. “Ela normalmente aparece como uma reação a algum mal-estar emocional que, ao invés de ser investigado sobre o por que de estar acontecendo, é coberto pela grande quantidade de comida, que serve como um alívio. Mas esse alívio é apenas momentâneo, acabando assim que o “banquete” acaba, e depois o sentimento de angústia volta”, completa Gladia.

Provoca sentimento de culpa

A especialista explica que, muitas vezes, quando o mal-estar volta após o alívio momentâneo que a comida costuma proporcionar, junto dele vem o sentimento de culpa, pela pessoa saber que comeu demais e “exagerou na dose”. “Você sabe que não precisava comer aquele saco de batata frita ou aquela barra de chocolate inteira sozinho. Além da bagagem calórica que esses alimentos trazem, a pessoa não estava realmente com fome. A mente é quem fez com que pensasse dessa forma, e com que se sinta mal por não ter conseguido afastar essa compulsão”, ressalta a especialista.

Faz com que se coma por impulso

Para saciar a fome emocional, a pessoa age sem pensar e de maneira compulsiva, já que perde a noção do quanto está, de fato, ingerindo. “Quando você vai ao supermercado nesses momentos, por exemplo, passa pelo corredor de doces e comidas calóricas e compra tudo o que vê pela frente, e que acha que aquilo tudo vai servir como uma forma de aliviar o que está sentindo e trazer prazer para o seu dia, que está sendo tão difícil”, comenta Gladia.

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Vira “desculpa” para fugir de responsabilidades

Suponha que, em um dia qualquer, você deixou de fazer algo porque precisava estudar ou ir à academia, por exemplo, mas acabou não “tendo forças” para realizar o que programou, e acabou ficando em casa. E, a partir desse momento, decidiu “atacar” a geladeira e comer aquele doce que tanto gosta. “Dentro da mente, você já sabe que não cumpriu com suas obrigações (no caso, ir à academia) e, consequentemente, outras emoções, como a ansiedade, chegam para fazer companhia, e você usa a comida como um calmante. Mas, quando o doce acaba, você acaba se sentindo pior que antes, pois acumulou não só a culpa de ter fugido de uma responsabilidade, mas também de ter cedido ao ‘capricho’ de comer por compulsão”, diz Gladia. Quando você percebe que comer trouxe bem-estar a você (mesmo que passageiro), passa a ir atrás de mais comida novamente, e repete o processo outras vezes, até se sentir muito cheio. “É essa falta de dosagem e equilíbrio, provocados por esses gatilhos que a mente nos proporciona, que faz com que a compulsão alimentar venha à tona e, por meio dela, a obesidade”, finaliza.

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