Bem-estar

Bolsonaro minimizou o baixo número de ministras dizendo que cada uma delas vale por dez homens

Durante evento de homenagem pelo Dia da Mulher, Bolsonaro afirmou que o número de ministros em seu governo “está equilibrado”: são 20 homens e duas mulheres. “Somente um pequeno detalhe: cada uma dessas mulheres equivale a dez homens. A garra dessas duas transmite energia para os demais”, disse o presidente, sob aplausos das servidoras do Palácio do Planalto presentes. “O futuro do Brasil, em grande parte, passa pela decisão de vocês. Muito obrigado, mulher do Brasil. Sou apaixonado por todas vocês”.

As ministras Tereza Cristina, da Agricultura; e Damares Alves, da pasta da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, estavam presentes no evento. A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, também participou da cerimônia.

Três servidoras do Planalto foram presenteadas com vale-compras de uma loja de Brasília. Os vales estavam debaixo de três cadeiras da plateia. Foi a ministra Damares Alves que revelou os brindes e pediu que as servidoras procurassem debaixo das cadeiras.

A primeira-dama lembrou a importância de a mulher lutar por respeito e oportunidades. “O mais importante é lutar em todos os outros dias do ano para que sejamos plenas de oportunidades, lutar pelo desejo de respeito, a necessária acolhida e o merecido reconhecimento. […] Desejo que todas nós possamos nos orgulhar todos os dias da delicadeza e da força feminina em edificar famílias, impulsionar solidariedade e transformar vidas”.

Mais cedo, o presidente postou mensagem em seu Twitter sobre a data. “Qualquer celebração deve vir acompanhada de propostas e que respeitemos o feeling da mulher. Infelizmente não depende só de mim para que muitas das pautas já conhecidas avancem. De tudo faremos que estas jóias raras ao fim dos próximos 4 anos possam se sentir mais representadas.”

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Além do presidente Jair Bolsonaro e da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, participaram da cerimônia por ocasião do Dia Internacional da Mulher o vice-presidente, Hamilton Mourão, e a esposa, Paula Mourão.

Instituições devem trabalhar pelo fim da exclusão de mulheres

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, aproveitou o Dia Internacional da Mulher, celebrado nesta sexta (8), para encorajar juízes, procuradores e promotores de Justiça a ajudarem as mulheres brasileiras a se libertarem das “discriminações e violências que sofrem”, bem como das “barreiras invisíveis e visíveis” que as impedem de “ser o que querem”.

“O debate em torno deste assunto é importante. Como nós, nas nossas instituições, podemos trabalhar pelas mulheres que, na sociedade, são vítimas da violência, da discriminação e da exclusão”, disse Dodge durante evento sobre os avanços e desafios institucionais na condição de gênero, realizado na sede do MPF (Ministério Público Federal), em Brasília.

Para Raquel Dodge, o Brasil vem avançando no reconhecimento dos direitos e anseios das mulheres, mas ainda há muito o que fazer – inclusive em relação ao acesso a cargos no Poder Judiciário.

“Há cem anos, as mulheres queriam votar. Hoje, elas querem ser votadas, completando o ciclo dos direitos políticos. Ainda precisamos de cotas porque barreiras invisíveis operam contra o desejo e o interesse das mulheres”, acrescentou Dodge destacando a importância de que eventuais empecilhos a uma maior presença de mulheres em cargos de comando de todas as esferas sejam identificados e superados. “Precisamos saber que barreiras são estas. É por causa de seus encargos familiares, do marco regulatório, de alguma outra discriminação que ainda não identificamos?”

Participação

Dodge comentou que somente com mais estímulo à participação das mulheres será possível a construção de uma sociedade mais justa. Para a procuradora-geral, é importante que as mulheres participem ativamente da construção de políticas públicas a fim de garantir que estas contemplem a suas especificidades – “não para competir e afastar, mas para, juntos, construirmos um espaço de convivência harmônica e respeito recíproco, verdadeiro, e não condescendente”.

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“Muitas políticas públicas precisam ser desenhadas para atender necessidades que só as mulheres têm. Daí a importância de mais mulheres no Parlamento, em posições de poder. E também nas instituições do sistema de Justiça. Para que lembremos que estas políticas públicas não devem estar confinadas a um atendimento esporádico e excepcional”, disse Dodge.

A deputada federal Joenia Wapichana lembrou que, dos 513 deputados federais eleitos, apenas 77 são mulheres – o que representa 15% do total das cadeiras. O número representa um avanço em relação à legislação anterior, quando a bancada feminina na Câmara se limitava a 51 deputadas (10%).

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