Rivalidade em alta

Tensão entre China e Japão aumenta e afeta toda a Ásia

Controles de exportação e rivalidade histórica geram preocupações sobre segurança regional

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  • Resposta do Japão Japão se afasta da China em parcerias comerciais e estratégicas.
  • Rivalidade histórica Conflitos entre os dois países remontam à Segunda Guerra Mundial.
  • Mudança nas relações Diplomacia entre China e Japão agora entrelaça comércio e política.
  • Gastos militares Japão aumentou gastos militares em 9,7% para US$ 62,2 bilhões em 2025.
  • Parcerias de segurança Japão busca acordos com Índia, Filipinas e outros para fortalecer defesa.
  • Impacto na Ásia Tensões moldam o futuro da segurança e das alianças na região.

A tensão entre China e Japão se intensificou na última semana de junho, quando a China decidiu impor controles de exportação a 40 empresas japonesas, alegando que seus produtos poderiam ser utilizados pela indústria militar do Japão. Essa ação provocou uma resposta imediata do Japão, que começou a se distanciar de seu vizinho em parcerias comerciais e estratégicas, marcando um novo capítulo em uma rivalidade histórica.

Esse bloqueio recente despertou um alerta sobre uma rivalidade que parecia adormecida, mas que agora está mais evidente, especialmente com as medidas da primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi. Desde sua posse em novembro do ano passado, Takaichi tem enfatizado a necessidade de o Japão se preparar para possíveis conflitos, especialmente em relação a Taiwan, considerando-o uma ameaça direta à segurança do Japão.

“A chamada contingência de Taiwan tornou-se tão grave que precisamos nos preparar para o pior cenário possível”, afirmou Takaichi, refletindo a crescente preocupação do Japão com a postura militar da China.

O governo chinês, por sua vez, tem dificultado a exportação de produtos e restringido a mobilidade entre os dois países, o que inclui a diminuição de voos diretos e o quase completo bloqueio do acesso do Japão às suas terras raras, essenciais para diversas indústrias.

O professor Sebastian Maslow, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Tóquio, explica que as relações bilaterais entre os dois países mudaram significativamente. “Enquanto, no período pós-guerra até o início dos anos 2000, ambos os países seguiam um manual diplomático que separava política e economia, hoje, esses aspectos estão entrelaçados e usados como armas”, destacou.

Historicamente, China e Japão têm uma relação marcada por conflitos, como evidenciado pela ocupação japonesa de partes da China durante a Segunda Guerra Mundial, que ainda é uma ferida aberta para o governo de Xi Jinping, que acredita que o Japão não se desculpou o suficiente por esse período.

Após a rendição do Japão em 1945, o país ficou proibido de manter um Exército, o que o limita a uma polícia de autodefesa. No entanto, Takaichi acredita que essa configuração já não atende às necessidades de um Japão que se sente ameaçado por uma China em ascensão e uma aliança com os EUA que é considerada instável.

“Atualmente, não está claro se há outras medidas disponíveis para exercer pressão sobre o Japão, mas as tensões estão aumentando”, advertiu Shin Kawashima, professor do departamento de relações internacionais da Universidade de Tóquio, ressaltando que um incidente inesperado poderia levar a uma escalada do conflito.

Os gastos militares do Japão, que em 2025 alcançaram cerca de US$ 62,2 bilhões, refletem essa nova postura, representando um aumento significativo em relação aos anos anteriores. O governo japonês justifica esses gastos como uma necessidade de autodefesa, especialmente em face da crescente ameaça da China, da Coreia do Norte e da Rússia.

Por outro lado, a China vê esse aumento no investimento militar japonês como uma ameaça, questionando as intenções do Japão. Alexandre Uehara, professor de relações internacionais, explica que o aumento dos gastos de defesa pelo Japão é interpretado pela China como um sinal de hostilidade.

As tensões entre os dois países podem ter um impacto significativo na dinâmica de poder na Ásia. A China, como maior potência da região, pode tentar restaurar a ordem, mas o Japão tem buscado novas parcerias de segurança, como exercícios militares conjuntos com a Índia e as Filipinas, além de ações trilaterais com a Coreia do Sul e os Estados Unidos.

“Os países do Indo-Pacífico enfrentarão uma escolha entre a China e o Japão”, afirmou Maslow, alertando que se o Japão não alinhar sua postura de defesa com uma assistência econômica confiável, muitos podem optar por fortalecer laços comerciais com a China.

Com os EUA se afastando de seu papel tradicional de “policial do mundo”, a situação se torna ainda mais complexa para o Japão, que deve aumentar seus gastos com defesa e aprimorar suas capacidades de autodefesa.

Enquanto isso, a tensão regional continua a crescer, com ambos os países se vendo como ameaças mútuas. O encontro entre Xi Jinping e Sanae Takaichi em novembro, durante a reunião da APEC, poderá ser um divisor de águas nas relações entre China e Japão, podendo tanto amenizar quanto agravar a situação.

“A China forneceu à primeira-ministra Takaichi mais argumentos para sua agenda, que se concentra na segurança econômica e na resiliência da cadeia de abastecimento”, concluiu Maslow, destacando que as tensões atuais foram intensificadas pelas declarações de Takaichi sobre Taiwan.

Fonte: Diário do Brasil


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