Trio virou réu

Trio vira réu por matar, dopar e esquartejar corretora gaúcha em Florianópolis

Angela Moro, Matheus Leite e Leticia Jardim foram denunciados pelo MP-SC; prisão preventiva dos três foi mantida pela Justiça

Ver resumo Resumo
  • Trio vira réu por matar corretora gaúcha em Florianópolis Angela Moro, Matheus Leite e Leticia Jardim tornaram-se réus após o TJ-SC aceitar a denúncia do MP na última sexta-feira (22).
  • Crimes: roubo, morte, ocultação de cadáver e corrupção de menor Os três respondem por roubo qualificado pelo resultado morte, ocultação de cadáver e corrupção de menor. Prisão preventiva mantida.
  • Divisão de tarefas: quem fez o quê no crime de 3 de março Leticia teria dopado Luciani. Angela a feriu com cortes no apartamento. Matheus deu apoio material e vigilância durante o crime.
  • Após a morte, trio roubou bens e usou CPF da vítima TV, videogame, carro e malas foram levados. Com os dados de Luciani, compraram serra elétrica e itens de alto valor online.
  • Corpo esquartejado foi encontrado em Major Gercino em 11 de março Matheus esquartejou o corpo em 5 de março. Restos foram ocultados no Rio Tijucas. DNA confirmou identidade dois dias depois.
  • Angela foi presa em flagrante no dia 12 de março Angela estava com bens de Luciani e está na Penitenciária de Florianópolis. Matheus e Leticia foram presos no Rio Grande do Sul.
  • Pena somada pode chegar a 38 anos de reclusão Roubo qualificado: até 30 anos. Ocultação de cadáver: até 3 anos. Corrupção de menor: até 4 anos. Total possível: 38 anos de prisão.

Os três acusados de roubar, matar e esquartejar a corretora gaúcha Luciani Aparecida Estivalet Freitas se tornaram réus após a Justiça de Santa Catarina aceitar, na última sexta-feira (22), a denúncia do Ministério Público contra Angela Maria Moro, Matheus Vinicius Silveira Leite e Leticia Jardim. O crime ocorreu no início de março em Florianópolis.

Os crimes imputados

Os três respondem pelos crimes de roubo qualificado pelo resultado morte, ocultação de cadáver e corrupção de menor. Conforme o Tribunal de Justiça de Santa Catarina, existem provas da materialidade do crime e indícios suficientes de autoria, “de modo que se encontra presente a justa causa apta para a deflagração da ação penal”.

A decisão também autorizou a quebra de sigilo fiscal dos três acusados para “apurar os fatos em sua completude”, com prazo de 30 dias para cumprimento. A prisão preventiva dos três réus foi mantida.

Como o crime aconteceu

Conforme a denúncia, houve uma divisão de tarefas. Leticia Jardim teria sido responsável por triturar e esmigalhar remédios sedativos, misturando-os na bebida de Luciani. A empresária Angela Moro, que administrava o residencial onde a corretora morava, teria ferido a vítima com profundos cortes no corpo no dia 3 de março, dentro do próprio apartamento no Norte da Ilha.

Luciani morreu em decorrência dos ferimentos, causados com o “apoio material, vigilância e cooperação física” de Matheus e Leticia. Após a morte, o trio teria subtraído eletroeletrônicos da vítima, incluindo televisão, videogame, malas com roupas e o carro dela.

Com os cartões, documentos e dados de Luciani, os três realizaram compras de uma serra elétrica e outros itens de alto valor em uma plataforma online, usando codinomes falsos para assinar o recebimento das mercadorias.

Esquartejamento e ocultação do corpo

O corpo de Luciani foi esquartejado no dia 5 de março por Matheus dentro do apartamento da vítima. Matheus, junto com a companheira Leticia e a mãe dele, teriam ocultado os restos mortais sob uma ponte no Rio Tijucas, no município de Major Gercino. A cabeça de Luciani foi ocultada no Norte da Ilha.

A denúncia aponta ainda que os três teriam envolvido o irmão adolescente de Matheus no crime, enviando-o a um endereço no Norte da Ilha para retirar mercadorias compradas com o CPF de Luciani.

Quem era Luciani

Luciani era corretora de imóveis e foi vista pela última vez na Praia dos Ingleses, no Norte da capital catarinense, em 4 de março. Os familiares suspeitaram do desaparecimento no dia 6 de março, quando ela não entrou em contato com a mãe para desejar feliz aniversário.

O boletim de ocorrência foi registrado no dia 9 de março, após a família identificar erros gramaticais em mensagens enviadas pelo celular da corretora. Em uma delas, o contato dizia que ela estava bem, mas sendo perseguida por um ex-namorado. No dia 11 de março, um corpo esquartejado foi encontrado em Major Gercino. Dois dias depois, exames de DNA confirmaram que o cadáver era de Luciani.

Antecedentes e situação dos réus

O MP solicitou que os antecedentes criminais dos denunciados sejam certificados em Santa Catarina, no Rio Grande do Sul e em São Paulo. Angela e Leticia são naturais do Rio Grande do Sul. Matheus é de Laranjal Paulista, onde estava foragido desde 2022 por ser suspeito de matar a tiros o dono de uma padaria na cidade.

Angela foi presa em flagrante no dia 12 de março por estar em posse de bens pertencentes a Luciani, e está recolhida na Penitenciária de Florianópolis. Leticia e Matheus estão presos no Rio Grande do Sul, estado para onde tentaram fugir após a morte da corretora.

Penas previstas

Se condenados em todos os crimes, os réus podem pegar até 38 anos de prisão somados: o roubo qualificado pelo resultado morte prevê de 20 a 30 anos de reclusão; a ocultação de cadáver, de 1 a 3 anos; e a corrupção de menor, de 1 a 4 anos.


Deixe seu comentário

Carregando comentários…
Veja mais notícias